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Mensagens

When Law Ceases to Be a Limit: Animal Farm and Orwell’s Warning to the Rule of Law

  When Law Ceases to Be a Limit: Animal Farm and Orwell’s Warning to the Rule of Law by: Joana Capaz Coelho Published in 1945, Animal Farm, by George Orwell, is often read as a satire of the Russian Revolution, but its true strength lies in the fact that it transcends that historical framework and asserts itself as a timeless reflection on power, its corruption, and the fragility of the legal structures that are meant to restrain it. The narrative begins with a diagnosis of structural injustice: “ our lives are miserable, laborious, and short ”, declares Old Major, denouncing an order in which “ the produce of our labour is stolen by human beings ”.  The revolt that follows is not presented as “ a mere impulse ” of ideology, but as a reaction to a situation of exploitation and inequality, grounded in an ideal that appears unassailable: “All animals are equal ”. This proclamation functions as the normative foundation of the new community, a kind of “constitutional princ...
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Quando a Lei deixa de ser limite: O Triunfo dos Porcos e o aviso de Orwell ao Estado de Direito

  Quando a Lei deixa de ser limite: O Triunfo dos Porcos e o aviso de Orwell ao Estado de Direito por: Joana Capaz Coelho   Publicado em 1945, o Triunfo dos Porcos , de George Orwell, é frequentemente lido como uma sátira à Revolução Russa, mas a sua verdadeira força reside no facto de ultrapassar esse enquadramento histórico e se afirmar como uma reflexão intemporal sobre o poder, a sua corrupção e a fragilidade das estruturas jurídicas que o deveriam limitar. A narrativa começa com um diagnóstico de injustiça estrutural: “ as nossas vidas são miseráveis, árduas e curtas ”, declara o Velho Major, denunciando uma ordem em que “ o produto do nosso trabalho é roubado por seres humanos ”. A revolta que daí nasce não é apresentada como “um mero impulso” ideológico, mas como reação a uma situação de exploração e desigualdade, sustentada por um ideal que parece inatacável: “ Todos os animais são iguais ”. Esta proclamação funciona como fundamento normativo da nova comunidade...

REGULAMENTO DO PRÉMIO “MARIA JOÃO SEABRA”

  REGULAMENTO DO PRÉMIO “MARIA JOÃO SEABRA”       Preâmbulo Maria João Seabra foi uma figura notável, nascida a 19 de junho de 1963 e falecida a 26 de maio de 2021, cujo impacto transcendeu gerações. Mãe dedicada de três filhos - Joana, Filipa e Martim - deixou um legado de amor, compromisso e realizações. Em honra à memória e à influência inspiradora de Maria João Seabra , o blog 19thjune foi criado em 19 de junho de 2022, com o propósito singular de celebrar e perpetuar os seus valores, ideais e conquistas. O Prémio Maria João Seabra é uma iniciativa anual, a ser concedida em 19 de junho, destinada a reconhecer indivíduos que, tal como Maria João Seabra , demonstrem excelência, dedicação e impacto significativo nas suas áreas de atuação, contribuindo assim para um mundo melhor. Este prémio não apenas reconhece a herança deixada por Maria João Seabra , mas também busca incentivar e destacar aqueles que, com empenho e compromisso, seguem o exempl...

Yves Saint Laurent’s Women’s Tuxedo and Women’s Rights: Is the Way We Dress a Human Rights Issue?

  Yves Saint Laurent’s Women’s Tuxedo and Women’s Rights: Is the Way We Dress a Human Rights Issue? By Joana Capaz Coelho In 1966, the French designer Yves Saint Laurent presented the women’s tuxedo for the first time: a set consisting of a sheer blouse and masculine-cut trousers. At the time, the gesture was bold and deeply symbolic! More than an aesthetic proposal, the women’s tuxedo represented a cultural and social shift — a clear sign that women no longer had to follow the codes imposed on them, including those related to the way they dressed. Until then, wearing trousers was, for many women, a reason for censorship, discrimination, and even prohibition from entering certain spaces, such as restaurants and hotels that restricted entry to women dressed “outside the standard”. As Emma Baxter-Wright explains: “Designed to make women feel powerful, Saint Laurent provided a modern alternative to a traditional evening gown when he first presented his black tuxedo jacket know...

O smoking feminino de Yves Saint Laurent e os Direitos das Mulheres:Será a forma como nos vestimos uma questão de Direitos Humanos?

  O smoking feminino de Yves Saint Laurent e os Direitos das Mulheres: Será a forma como nos vestimos uma questão de Direitos Humanos?   Por: Joana Capaz Coelho Em 1966, o estilista Francês Yves Saint Laurent apresentou pela primeira vez o smoking feminino: um conjunto composto por uma blusa transparente e umas calças de corte masculino. O gesto foi, à época, ousado e profundamente simbólico! Mais do que uma proposta estética, o smoking feminino representava uma mudança cultural e social — um sinal claro de que a mulher já não se limitava a seguir os códigos que lhe eram impostos, inclusive no que dizia respeito à forma de se vestir. Até então, usar calças era, para muitas Mulheres, motivo de censura, discriminação e até de proibição de entradas em certos espaços, como restaurantes e hotéis que restringiam a entrada de mulheres vestidas “fora do padrão”. Como explica Emma Baxter-Wright: “ Designed to make women feel powerful, Saint Laurent provided a modern alternati...

Three Years of Blogging, a Lifetime of Affection: The Right to Family as a Place of Belonging

  Three Years of Blogging, a Lifetime of Affection: The Right to Family as a Place of Belonging By Joana Capaz Coelho Today, this blog turns three — on my Mother's birthday. Three years of writing, sharing, and reflecting. Of carefully chosen, hesitant, heartfelt words. Three years of trying to reconcile what drives me in Law with what moves me in life. This text is, therefore, both a celebration and a tribute. A celebration of this space that keeps growing with me — and a tribute to my Mother. Speaking about her is difficult without my voice breaking. Perhaps because it was through her that I first understood — without yet knowing — what the Right to Family means. And I don’t mean the cold letter of the law, but the lived reality of having someone who cares, who welcomes, who stays. Over these three years, I have written about human rights, health, gender equality, and solidarity. But I always return to the same root: the right to have someone. To have someone who supports us, ...

Três anos de blog, uma vida inteira de afetos: o Direito à Família como lugar de pertença

Três anos de blog, uma vida inteira de afetos:   o Direito à Família como lugar de pertença Por: Joana Capaz Coelho     Hoje, este blog cumpre três anos — no dia de aniversário da minha Mãe. Três anos de escrita, partilha e reflexão. De palavras pensadas, hesitadas, sentidas. Três anos a tentar conciliar aquilo que me move no Direito com aquilo que me move na vida. Este texto é, por isso, uma celebração e uma homenagem. Uma celebração deste espaço que continua a crescer comigo — e uma homenagem à minha Mãe. Falar dela é difícil sem que a voz me falhe. Talvez porque tenha sido nela que, pela primeira vez, compreendi — ainda sem saber — o que é o Direito à Família. E não me refiro à letra fria da lei, mas à vivência concreta de ter alguém que cuida, que acolhe, que permanece! Nestes três anos, escrevi sobre direitos humanos, saúde, igualdade de género e solidariedade. Mas volto sempre à mesma raiz: o direito a ter alguém. A ter quem nos ampare, nos escute, nos chame pelo no...